Omega Energia agora é Serena. 15 anos de história, agora em uma nova jornada. Saiba Mais

Escrito por: André Lima, Growth, Serena Energia | Última atualização: 7 de agosto de 2026

Principais lições deste artigo

Por que benchmarks de custo operacional importam para empresas do Grupo A

O custo operacional, ou OPEX, reúne todos os gastos necessários para manter a operação em funcionamento, como pessoal, insumos, manutenção, logística, ocupação e energia elétrica. Na demonstração de resultado, o OPEX aparece abaixo da receita bruta e influencia diretamente a margem operacional. Empresas do Grupo A, conectadas em média ou alta tensão, costumam ter a energia como uma linha relevante das despesas, com peso que varia conforme o setor, o perfil de consumo e o horário de operação.

Usar benchmarks setoriais permite ao controller avaliar se o custo operacional da empresa está alinhado com o mercado, identificar onde estão os desvios e definir quais linhas merecem atenção prioritária. Sem referências externas, o orçamento se torna um exercício interno sem parâmetro de comparação.

A energia elétrica ocupa posição particular nesse contexto. Diferentemente de pessoal ou aluguel, ela combina uma parcela relativamente fixa, como demanda contratada e encargos setoriais, com uma parcela variável, como consumo e bandeiras tarifárias. Os encargos setoriais representam uma parte importante da tarifa e têm crescido em ritmo superior ao da inflação. Isso faz com que mesmo empresas que mantêm o consumo paguem mais a cada ciclo tarifário.

Como calcular o custo operacional de uma empresa

Calcular o custo operacional segue uma estrutura aplicável a qualquer setor. A fórmula base é:

OPEX total = pessoal + insumos e matérias-primas + energia elétrica (consumo + demanda + encargos) + manutenção + ocupação (aluguel, IPTU, condomínio) + logística + despesas administrativas e comerciais (SG&A)

Para expressar o OPEX como percentual da receita líquida, formato mais útil para benchmarking, é preciso dividir cada linha pelo faturamento do período:

OPEX % receita = (linha de custo ÷ receita líquida) × 100

Veja um exemplo numérico ilustrativo para uma indústria de médio porte com receita líquida mensal de R$ 5.000.000:

Separar a energia em três sublinhas, consumo, demanda e encargos, é fundamental para o benchmarking. Essa separação mostra qual componente está fora do padrão e qual ação aplicar, como renegociar demanda contratada, reduzir consumo em horário de ponta ou migrar o ambiente de contratação.

Benchmarks de custo operacional por setor no Brasil para 2026

Os benchmarks a seguir consolidam referências setoriais com base em dados públicos de EPE, ANEEL, IBGE e associações setoriais. Os valores de OPEX como percentual da receita são faixas de referência, e empresas individuais podem apresentar desvios conforme escala, localização e mix de produtos. A linha de energia aparece destacada em cada tabela para facilitar a comparação.

Nota metodológica: os percentuais de energia como parcela do OPEX refletem o peso relativo da linha energética dentro da estrutura de custos operacionais de cada setor, com base nas fontes citadas. Variações regionais são significativas em função das diferenças tarifárias entre distribuidoras, e projeções da Thymos Energia indicam reajustes distintos entre distribuidoras como Neoenergia Pernambuco, CPFL Paulista e Enel Ceará em 2026. As tabelas a seguir mostram como a energia se posiciona dentro da estrutura de custos de cada setor e ajudam a identificar se a linha energética está acima da faixa de referência e quanto isso representa em margem perdida.

1. Indústria de alimentos e bebidas

Linha de custo

% da receita líquida (referência)

Observação

Insumos e matérias-primas

40–55%

Maior linha do setor

Pessoal

10–18%

Inclui encargos trabalhistas

Energia elétrica (total)

3–8%

Linha relevante, com refrigeração e processos térmicos como maiores consumidores

SG&A

8–14%

Inclui logística de distribuição

2. Varejo alimentar (supermercados e atacadistas)

Linha de custo

% da receita líquida (referência)

Observação

CMV (custo de mercadoria vendida)

68–75%

GPA reportou COGS de cerca de 72,3% no quarto trimestre de 2025

SG&A

16–20%

Inclui despesas administrativas e comerciais

Energia elétrica (total)

Parte relevante do SG&A

Refrigeração e climatização são os principais vetores de consumo, e a energia figura entre os maiores custos operacionais do varejo, segundo EDP Brasil

Pessoal

8–13%

Inclui operação de loja e logística interna

3. Indústria química e petroquímica

Linha de custo

% da receita líquida (referência)

Observação

Insumos e matérias-primas

45–65%

Alta dependência de derivados de petróleo

Energia elétrica (total)

5–12%

Processos eletroquímicos e compressão elevam o peso energético, com referência no Atlas da Eficiência Energética, EPE

Pessoal e manutenção

10–18%

Alta especialização técnica

SG&A

6–12%

4. Transporte rodoviário de cargas

Linha de custo

% do OPEX total (referência)

Observação

Diesel

cerca de 35%

NTC & Logística em 2026 indica que o diesel representa em média 35% do OPEX das transportadoras

Pessoal (motoristas e operação)

25–35%

Inclui encargos e benefícios

Energia elétrica (instalações e pátios)

Parte relevante das despesas fixas

Menor peso que o diesel, mas sujeita aos mesmos reajustes tarifários anuais

Manutenção de frota

10–18%

Condições das rodovias geraram consumo adicional de 1,2 bilhão de litros de diesel em 2025, segundo CNT

5. Agronegócio (processamento e beneficiamento)

Linha de custo

% da receita líquida (referência)

Observação

Insumos agrícolas e matérias-primas

40–60%

Alta exposição a commodities internacionais

Energia elétrica (total)

Parte relevante das despesas operacionais

Irrigação, secagem de grãos e câmaras frias são os maiores vetores, com referência no Balanço Energético Nacional, EPE

Logística e armazenagem

8–15%

Forte sazonalidade na safra

Pessoal

8–14%

6. Setor hoteleiro e hospitalidade

Linha de custo

% da receita líquida (referência)

Observação

Pessoal

30–40%

Maior linha do setor

Energia elétrica (total)

Parte relevante das despesas operacionais

Climatização, aquecimento de água e iluminação contínua elevam o consumo, com referência no Atlas da Eficiência Energética, EPE

Alimentos e bebidas (F&B)

15–25%

Varia conforme mix de serviços

Manutenção e ocupação

8–15%

7. Indústria de papel e celulose

Linha de custo

% da receita líquida (referência)

Observação

Insumos (madeira, produtos químicos)

35–50%

Energia elétrica (total)

5–10%

Setor de alta intensidade energética, com referência no Atlas da Eficiência Energética, EPE

Pessoal e manutenção

12–20%

SG&A

6–10%

8. Saúde (hospitais e clínicas de médio e grande porte)

Linha de custo

% da receita líquida (referência)

Observação

Pessoal (médicos, enfermagem, administrativo)

40–55%

Maior linha do setor

Materiais médico-hospitalares e medicamentos

15–25%

Energia elétrica (total)

Parte relevante das despesas operacionais

Operação ininterrupta, climatização de precisão e equipamentos de diagnóstico elevam o consumo, com referência no Atlas da Eficiência Energética, EPE

SG&A e ocupação

10–18%

9. Biocombustíveis (etanol e biodiesel)

Linha de custo

% do OPEX total (referência)

Observação

Matéria-prima (cana, milho, soja)

50–65%

Energia elétrica e vapor (total)

Parte relevante das despesas operacionais

Referência na nota técnica da EPE sobre investimentos e custos operacionais no setor de biocombustíveis 2026–2035

Manutenção industrial

5–10%

Pessoal

8–14%

10. Serviços de tecnologia e data centers

Linha de custo

% da receita líquida (referência)

Observação

Pessoal (desenvolvimento, operações, suporte)

35–55%

Maior linha do setor

Energia elétrica (total)

Parte relevante das despesas operacionais

Em data centers, a energia pode representar a segunda maior linha de custo, com referência no Atlas da Eficiência Energética, EPE

Infraestrutura e ocupação

10–20%

Inclui colocation e conectividade

SG&A

10–18%

Como usar os benchmarks no planejamento orçamentário

Aplicar os benchmarks no planejamento orçamentário envolve um processo em três etapas que conecta diagnóstico, comparação e priorização.

  1. Mapear o OPEX real por linha: extrair da demonstração de resultado e dos centros de custo os valores mensais de cada componente, separando energia em consumo, demanda e encargos. Esse mapeamento detalhado permite comparar com precisão os números internos com as faixas de referência setoriais.

  2. Comparar com a faixa setorial: identificar quais linhas estão acima do benchmark e quantificar o desvio em reais e em pontos percentuais de margem. Essa quantificação mostra o impacto financeiro de cada desvio e alimenta a etapa seguinte de priorização.

  3. Priorizar por impacto e esforço: concentrar esforços nas linhas com desvio alto e baixo esforço de correção. A energia elétrica frequentemente se enquadra nessa categoria para empresas do Grupo A.

Essa priorização se torna ainda mais urgente quando se considera a imprevisibilidade estrutural da energia no mercado regulado. O principal risco do planejamento orçamentário com energia nesse ambiente é a imprevisibilidade das bandeiras tarifárias. Uma pesquisa da FNCE (Frente Nacional dos Consumidores de Energia) estima que medidas aprovadas entre janeiro de 2023 e maio de 2026 devem gerar custos adicionais de aproximadamente R$ 985 bilhões nas contas de luz até 2050, com impacto direto sobre consumidores industriais e comerciais. Orçar energia com base apenas na tarifa atual, sem considerar reajustes e encargos crescentes, tende a produzir desvios sistemáticos que reduzem a margem ao longo do ano.

Energia como alavanca de redução de OPEX sem impacto operacional

Tratar a energia elétrica como alavanca de redução de OPEX é uma alternativa relevante depois de otimizar pessoal, renegociar contratos de fornecimento e revisar processos. Em muitos casos, essa linha permanece fora do controle do gestor financeiro porque, no mercado regulado, o preço é definido pela ANEEL e repassado pela distribuidora local, sem espaço de negociação para o consumidor.

A migração para o mercado livre de energia altera essa lógica. No ambiente de contratação livre, a empresa negocia diretamente o preço da energia com um fornecedor de sua escolha, por meio de contratos bilaterais. A distribuidora local continua sendo responsável pela entrega física da eletricidade, e os fios, a rede e a estabilidade do fornecimento permanecem sob a mesma gestão. A mudança ocorre no preço pago pela energia contratada.

Silhueta de várias turbinas eólicas alinhadas ao longo da costa durante um pôr do sol colorido, com reflexos na água.
A exploração de recursos naturais, como os ventos costeiros, é essencial para manter a escala e a sustentabilidade necessárias no Mercado Livre de Energia.

Essa distinção é relevante para o diretor de operações. A migração não altera a planta, não exige obras, não interrompe a produção e não modifica o relacionamento com a distribuidora local para fins de entrega. A decisão é comercial e contratual, e não operacional.

Perfil lateral de um trabalhador em um parque eólico, com o sol ao fundo e diversas turbinas eólicas estendendo-se pelo horizonte.
A dedicação de profissionais qualificados no campo é o que garante a eficiência e a disponibilidade constante da energia limpa que impulsiona os negócios dos nossos clientes.

Mercado livre de energia: previsibilidade de preço e redução de oscilações tarifárias

No mercado livre de energia, os contratos bilaterais fixam o preço da energia por períodos em geral de três a cinco anos. Independentemente das bandeiras tarifárias ou dos reajustes anuais da ANEEL, o custo da parcela de energia contratada permanece o definido em contrato. A parcela de distribuição, que, como visto, permanece com a distribuidora local, continua regulada e sujeita a reajustes, mas a componente de energia passa a ser previsível.

Um único aerogerador branco se destaca em meio a uma densa camada de neblina ou nuvens, iluminado pela luz suave do pôr do sol.
A tecnologia eólica avançada permite que a Serena Energia capture ventos constantes em grandes altitudes, garantindo uma fonte de energia limpa, estável e eficiente para o seu negócio.

Para o controller, essa previsibilidade permite orçar a linha de energia com maior precisão para os próximos anos e reduzir o principal fator de erro no planejamento financeiro de longo prazo.

Como mencionado anteriormente, empresas do Grupo A são elegíveis para migrar. Não há consumo mínimo além dessa classificação.

Vista aérea de uma vasta usina solar com longas fileiras de painéis fotovoltaicos captando a luz do pôr do sol.
O uso de usinas solares de grande escala permite captar energia com eficiência máxima, otimizando os créditos que reduzem drasticamente os custos fixos de empresas parceiras.

A Serena Energia está entre as maiores geradoras de energia eólica e solar criadas nas Américas, com mais de 17 anos de história e atuação em todo o Brasil. No mercado livre de energia, a Serena Energia atua majoritariamente com energia eólica. A empresa oferece migração gerenciada, consultoria energética e gestão da energia sem custo adicional para clientes sob sua gestão, conduzindo todo o processo burocrático, da notificação à distribuidora até a representação perante a CCEE (Câmara de Comercialização de Energia Elétrica). Após a conclusão da migração, que segue o prazo regulatório de seis meses, o cliente passa a operar no mercado livre de energia e conta com um consultor dedicado para acompanhamento contínuo.

Paisagem de um parque de energia renovável ao pôr do sol, apresentando grandes turbinas eólicas e vastas fileiras de painéis solares sobre colinas.
A combinação estratégica de fontes eólicas e solares maximiza a geração de energia limpa, garantindo maior estabilidade e eficiência para o suprimento do Mercado Livre.

Quer reduzir o peso da energia no seu OPEX? Fale com a Serena Energia e avalie as condições de migração da sua empresa para o mercado livre de energia.

Perguntas frequentes

O que é custo operacional e como ele se diferencia de despesa?

O custo operacional, ou OPEX, reúne todos os gastos diretamente relacionados à manutenção da operação, como produção, pessoal operacional, energia, manutenção, insumos e logística. Despesas, em sentido estrito, incluem itens como juros, depreciação e amortização, que não fazem parte do OPEX. Na prática do benchmarking empresarial, o OPEX costuma ser expresso como percentual da receita líquida para permitir comparações entre empresas de portes diferentes dentro do mesmo setor.

Como a energia elétrica aparece no OPEX de uma empresa do Grupo A?

Para uma empresa do Grupo A, consumidora de média e alta tensão, a conta de energia é composta por três blocos principais: a parcela de energia, que corresponde ao consumo em kWh, a parcela de demanda contratada, que representa a reserva de capacidade na rede, e os encargos setoriais e tributos. No benchmarking, é recomendável separar esses três componentes, porque cada um responde a ações diferentes. A parcela de energia é a que pode ser negociada no mercado livre de energia, enquanto as demais seguem regulação da ANEEL e da distribuidora local.

Qual é o prazo para migrar para o mercado livre de energia?

O processo de migração segue um prazo regulatório de seis meses, contado a partir da notificação formal à distribuidora local. Durante esse período, a empresa permanece no mercado regulado, e a economia passa a aparecer a partir da primeira conta de luz após a conclusão da migração. A Serena Energia conduz todas as etapas do processo, incluindo o registro na CCEE (Câmara de Comercialização de Energia Elétrica).

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *