Escrito por: André Lima, Growth, Serena Energia
Principais lições deste artigo
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Empresas do Grupo A precisam de certificados I-REC para comprovar consumo 100% renovável em relatórios ESG, inventários de Escopo 2 e compromissos como o RE100.
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Cada MWh de energia renovável gera um I-REC rastreável, que pode ser adquirido na modalidade bundled (junto com o contrato) ou unbundled (separadamente).
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A plataforma CCEE Origem e o Instituto Totum estruturam a emissão e a rastreabilidade dos certificados, com o Selo CCEE Origem atestando a integridade ambiental dos ativos.
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O processo de emissão, transferência e aposentadoria dos I-RECs fornece evidência auditável para relatórios de sustentabilidade e auditorias externas.
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A Serena Energia oferece contratos de energia renovável com emissão integrada de I-RECs, fale com nossos consultores para estruturar sua solução.
O que são os certificados REC (I-REC) e por que cada MWh gera um certificado?
Um certificado I-REC representa o atributo ambiental de 1 MWh de energia elétrica gerada a partir de fontes renováveis, como eólica, solar, hídrica ou biomassa, e injetada no sistema elétrico. Para cada MWh consumido, uma empresa precisa adquirir um certificado correspondente. Um consumo anual de 10.000 MWh requer 10.000 I-RECs.

O padrão I-REC é diferente de créditos de carbono. Um I-REC comprova a origem renovável da energia consumida e se relaciona às emissões de Escopo 2. Créditos de carbono representam compensação ou remoção de gases de efeito estufa em projetos ambientais específicos.
Existem duas modalidades de aquisição de I-RECs para empresas do Grupo A:
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Critério |
REC bundled (atrelado) |
REC unbundled (desatrelado) |
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Forma de compra |
Adquirido junto com o contrato de fornecimento de energia renovável |
Adquirido separadamente, independentemente do fornecedor de energia |
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Rastreabilidade |
Vincula o certificado à fonte geradora específica do contrato, com rastreabilidade completa desde a usina até o consumidor |
Rastreável na plataforma, mas sem vínculo direto com o contrato de fornecimento físico |
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Estrutura de custo |
Custo do certificado embutido ou negociado junto ao preço da energia, com maior previsibilidade orçamentária |
Custo negociado separadamente no mercado de certificados, sujeito a variações de oferta e demanda |
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Aplicação ESG |
Aceito pelo GHG Protocol e por metodologias globais, o que facilita auditorias e relatórios de emissões anuais |
Aceito pelo GHG Protocol e pelo RE100, válido para neutralização de Escopo 2 |
O papel da plataforma CCEE Origem e do Instituto Totum na emissão e rastreabilidade
A CCEE (Câmara de Comercialização de Energia Elétrica) lançou em outubro de 2024 a Plataforma Brasileira para a Certificação de Energia Renovável, que elevou os padrões de governança do mercado de certificados no Brasil. A plataforma utiliza o banco de dados de medição da própria CCEE (Câmara de Comercialização de Energia Elétrica) para assegurar rastreabilidade completa dos atributos renováveis desde a geração até o consumo, sem necessidade de tecnologias externas como blockchain.
Os I-RECs emitidos pela plataforma recebem o Selo CCEE Origem, que certifica a integridade ambiental dos ativos. Esse selo aumenta a credibilidade dos certificados e atrai investimentos da economia verde. A emissão desses certificados depende de um emissor autorizado.
O Instituto Totum é o emissor local autorizado pelo padrão I-REC no Brasil. O Instituto Totum responde por auditorias independentes e pela rastreabilidade internacional dos certificados. Em meados de 2026, o Instituto Totum contava com 127 projetos hidrelétricos ativos registrados em sua plataforma, além de usinas eólicas e solares. A CCEE (Câmara de Comercialização de Energia Elétrica) atua como registradora oficial, cruzando dados de medição para impedir a dupla contagem.
A plataforma CCEE Origem é tecnicamente capaz de fornecer certificados com granularidade horária e especificação locacional. Essa capacidade indica quando e onde a energia foi gerada e prepara o mercado para demandas futuras de data centers e empresas com metas de correspondência horária.
Fluxo passo a passo: da geração da energia renovável até a aposentadoria do certificado
1. Geração e medição
A usina geradora, seja eólica, solar, hídrica ou de biomassa, injeta energia no sistema elétrico. A CCEE (Câmara de Comercialização de Energia Elétrica) registra essa geração em seu banco de dados de medição, que serve como base para a emissão dos certificados.

2. Registro e emissão
O Instituto Totum, como emissor autorizado, processa os dados da plataforma e emite os I-RECs correspondentes a cada MWh gerado. Cada certificado recebe o Selo CCEE Origem, que o vincula à usina de origem e ao período de geração.
3. Transferência ao comprador
A plataforma transfere os certificados ao comprador, que pode ser uma empresa do Grupo A adquirindo diretamente ou por meio de um fornecedor como a Serena Energia. A plataforma digital estrutura o processo para assegurar transparência, isonomia e rastreabilidade.
4. Verificação
A empresa pode verificar a rastreabilidade diretamente na plataforma CCEE Origem. A plataforma cruza os dados de geração com os registros de transferência e aposentadoria, o que alinha as práticas brasileiras a padrões europeus.
5. Aposentadoria (retirement)
A aposentadoria de um I-REC remove permanentemente o certificado de circulação no registro internacional. Esse processo assegura exclusividade e impede a dupla contagem. Após a aposentadoria, a empresa recebe um comprovante que serve como evidência técnica auditável para relatórios ESG, inventários de carbono e auditorias externas.
Uma atualização relevante de 2026 é a chamada pública estruturada pela CCEE e pela Itaipu Binacional. As instituições anunciaram durante a COP 30 em Belém o primeiro mecanismo competitivo de venda de I-RECs lastreados na geração de Itaipu em 2025, com leilão realizado em fevereiro de 2026. Esses certificados carregam o padrão I-REC internacional e o Selo CCEE Origem, o que amplia a oferta de ativos com alta credibilidade no mercado brasileiro.
Custos, melhores práticas de aposentadoria e dúvidas frequentes
O mercado brasileiro de certificados de energia renovável está em expansão acelerada. As emissões de certificados cresceram 15,7% no Brasil em 2026. O país emitiu mais de 40 milhões de I-RECs nos primeiros meses de 2026, o que representou cerca de 70% do total de certificados emitidos em 2025. Em 2025, o Brasil liderou a emissão global com 19% do total mundial. A expectativa é que o mercado brasileiro de I-RECs alcance aproximadamente 90 milhões de certificados em 2026.
O preço de um I-REC varia conforme a fonte geradora, o período de geração, atributos adicionais como o Selo CCEE Origem ou o Selo I-REC ITAIPU e as condições de oferta e demanda do mercado. Compradores podem valorizar atributos adicionais associados a determinadas fontes, como geração distribuída regionalmente, menor porte ou características socioambientais específicas. Para obter uma cotação precisa para o volume de consumo da sua empresa, o caminho mais eficiente é consultar diretamente um fornecedor com capacidade de emissão.
As melhores práticas para a aposentadoria de certificados seguem uma sequência lógica de conformidade. O primeiro passo é alinhar o período de referência. A empresa deve aposentar os certificados no mesmo período do inventário de emissões, para que o volume aposentado corresponda ao consumo real do ano-base do relatório.
O segundo passo é organizar a documentação. A empresa deve guardar o comprovante de aposentadoria emitido pelo registro, pois esse documento é aceito em auditorias ambientais e em relatórios alinhados ao GHG Protocol.
O terceiro passo é respeitar a permanência da aposentadoria. A empresa não deve reutilizar certificados aposentados, pois a aposentadoria é permanente e impede que qualquer outra entidade no mundo reivindique o mesmo MWh renovável.
O quarto passo é comunicar os resultados. A empresa pode divulgar a compensação obtida por I-RECs aposentados em relatórios de sustentabilidade alinhados ao GRI, SASB ou TCFD e no Registro Público de Emissões.
Caso prático: empresa industrial consome 10.000 MWh e comprova 100% energia renovável
Uma empresa industrial do Grupo A, consumidora de média tensão, fecha um contrato de fornecimento de energia eólica no mercado livre de energia com a Serena Energia para 10.000 MWh anuais. O contrato é do tipo bundled. A Serena Energia emite I-RECs para cada MWh fornecido, com o Selo CCEE Origem vinculando cada certificado à usina eólica de origem.

Ao final do ano-calendário, a empresa solicita a aposentadoria dos 10.000 I-RECs correspondentes ao seu consumo. A aposentadoria remove permanentemente os certificados do registro internacional, e a empresa recebe o comprovante oficial. Esse documento é inserido no inventário de emissões de Escopo 2 da empresa, o que zera as emissões associadas ao consumo de eletricidade.
Os I-RECs aposentados são o padrão mais aceito por metodologias globais como o GHG Protocol. Esse reconhecimento facilita a conclusão do relatório anual de emissões e simplifica o processo de auditoria. O relatório de sustentabilidade da empresa passa a incluir a declaração auditável de 100% de energia renovável, com rastreabilidade verificável na plataforma CCEE Origem.
I-RECs aposentados ajudam empresas a demonstrar ações de sustentabilidade consistentes e documentadas a investidores, conselhos e à sociedade. Essa comprovação fortalece o posicionamento ESG e apoia o acesso a linhas de crédito vinculadas a indicadores ESG verificados.
Integração com o mercado livre de energia: como adquirir certificados junto com contratos renováveis?
A modalidade bundled representa a integração mais direta entre certificados e contratos de energia renovável. Ao contratar energia eólica ou solar no mercado livre de energia, a empresa do Grupo A pode incluir a emissão de I-RECs no mesmo contrato. Essa estrutura elimina a necessidade de buscar certificados separadamente no mercado secundário.

Essa integração oferece previsibilidade orçamentária. O custo dos certificados é negociado junto ao preço da energia, sem exposição a flutuações do mercado spot de I-RECs. Para diretores financeiros e controllers, isso significa que o custo de energia e o custo de conformidade ESG ficam consolidados em um único contrato de longo prazo.
Para gestores de sustentabilidade, a principal vantagem é a rastreabilidade direta. Cada MWh consumido tem um I-REC correspondente vinculado à usina geradora específica, com o Selo CCEE Origem atestando a integridade ambiental do ativo. Essa cadeia de custódia completa atende ao que auditores externos e frameworks como o GHG Protocol exigem.
Empresas que optam pela modalidade unbundled, adquirindo certificados separadamente de qualquer fornecedor de energia, mantêm a validade para Escopo 2. Nesse caso, a empresa perde o vínculo direto com a fonte geradora do contrato de fornecimento físico. A escolha entre as duas modalidades depende da estratégia ESG da empresa e do nível de rastreabilidade exigido por seus stakeholders.
A Serena Energia oferece contratos de energia eólica no mercado livre de energia com emissão integrada de I-RECs. Essa estrutura permite que empresas do Grupo A alcancem simultaneamente redução de custos operacionais e comprovação auditável de 100% de energia renovável.
Fale com um de nossos consultores para estruturar um contrato de energia renovável com I-RECs integrados para a sua empresa.
Perguntas frequentes (FAQ)
O que é certificação I-REC e quem pode emitir?
O I-REC (International Renewable Energy Certificate) é um padrão internacional de certificação que comprova que 1 MWh de energia elétrica foi gerado a partir de fontes renováveis e injetado na rede. No Brasil, o Instituto Totum é o emissor local autorizado pelo padrão I-REC e responde por auditorias independentes e pela rastreabilidade internacional dos certificados. A CCEE (Câmara de Comercialização de Energia Elétrica) atua como registradora oficial no país e utiliza seu banco de dados de medição para vincular cada certificado à usina geradora de origem. Geradoras de energia renovável, como a Serena Energia, registram suas usinas na plataforma e emitem I-RECs para cada MWh gerado, transferindo-os a compradores que desejam comprovar consumo renovável.
Como funciona a rastreabilidade na plataforma CCEE Origem?
A plataforma CCEE Origem utiliza o banco de dados de medição da CCEE mencionado anteriormente para vincular cada certificado à sua usina de origem. A empresa pode verificar essa vinculação diretamente na interface da plataforma, que apresenta os dados de geração, transferência e aposentadoria. Essa rastreabilidade inclui a capacidade técnica de granularidade horária e de especificação locacional descrita na seção sobre o papel da CCEE Origem.
Quanto custa um I-REC e quais fatores influenciam o preço?
O preço de um I-REC no Brasil não é fixo e varia conforme alguns fatores principais: a fonte geradora, o período de geração, a presença de selos adicionais como o Selo CCEE Origem ou o Selo I-REC ITAIPU e as condições de oferta e demanda do mercado. Certificados com atributos adicionais, como geração firme e constante, impacto socioambiental verificado ou vínculo com projetos específicos, tendem a ser mais valorizados por compradores com critérios ESG detalhados. A modalidade de aquisição também influencia o custo. Na compra bundled, o preço é negociado junto ao contrato de energia e oferece maior previsibilidade. Na compra unbundled, o preço é definido separadamente no mercado de certificados. Para obter uma cotação precisa para o volume de consumo da sua empresa, o caminho mais direto é consultar um fornecedor com capacidade de emissão, como a Serena Energia.
Como funciona a aposentadoria de certificados REC e qual sua validade para relatórios ESG?
A aposentadoria, ou retirement, é o ato de remover permanentemente um I-REC do registro internacional e vinculá-lo exclusivamente ao consumo de uma empresa específica em um período determinado. Após a aposentadoria, nenhuma outra entidade no mundo pode reivindicar o mesmo MWh renovável. O comprovante de aposentadoria emitido pelo registro é o documento aceito em auditorias ambientais, em relatórios de sustentabilidade alinhados ao GHG Protocol, GRI, SASB e TCFD e em compromissos globais como o RE100.
A validade do certificado para fins de relatório ESG está ligada ao período de geração declarado no I-REC. A empresa deve aposentar certificados correspondentes ao mesmo ano-calendário do inventário de emissões. I-RECs são emitidos retroativamente para energia já gerada em um período específico, o que exige aquisição contínua para manter a comprovação de consumo renovável ao longo dos anos.
É possível adquirir I-RECs junto com contratos de energia renovável no mercado livre de energia?
É possível adquirir I-RECs integrados ao contrato de energia renovável no mercado livre de energia. A modalidade bundled permite que empresas do Grupo A incluam I-RECs no próprio contrato de fornecimento. Nessa estrutura, cada MWh fornecido pela geradora tem um I-REC correspondente emitido e vinculado à usina de origem, com rastreabilidade completa na plataforma CCEE Origem. O custo dos certificados é negociado junto ao preço da energia, o que consolida em um único contrato a previsibilidade de custos operacionais e a conformidade ESG.
A Serena Energia oferece essa integração para seus clientes no mercado livre de energia, emitindo I-RECs com Selo CCEE Origem para cada MWh de energia eólica fornecida. Empresas que já possuem contratos de energia com outros fornecedores também podem adquirir I-RECs separadamente na modalidade unbundled, mantendo a validade para neutralização de Escopo 2.
Conclusão: como usar os certificados REC para fortalecer sua estratégia de sustentabilidade
Os certificados I-REC são o instrumento central para que empresas do Grupo A comprovem, de forma auditável e reconhecida internacionalmente, que seu consumo de energia elétrica é 100% renovável. O fluxo completo, da geração na usina ao registro na plataforma CCEE Origem, passando pela transferência ao comprador e pela aposentadoria definitiva, oferece a cadeia de custódia que relatórios ESG, inventários de Escopo 2 e auditorias externas exigem.
A integração de I-RECs com contratos de energia renovável no mercado livre de energia, na modalidade bundled, representa uma abordagem eficiente para diretores financeiros e gestores de sustentabilidade. Essa integração reúne previsibilidade de custos e comprovação de origem renovável em um único contrato, gerenciado por um fornecedor com capacidade de geração própria.
A Serena Energia está entre as maiores geradoras de energia eólica e solar criadas nas Américas e combina geração de energia eólica em larga escala com emissão de I-RECs e gestão completa da migração para o mercado livre de energia, sem custos adicionais para clientes sob sua gestão. Com clientes como Heineken, Cargill e Bayer e mais de 17 anos de operação, a empresa oferece a solidez e a expertise que decisões de longo prazo em energia e sustentabilidade exigem.
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