Escrito por: André Lima, Growth, Serena Energia
Principais lições deste artigo
-
Empresas do Grupo A enfrentam imprevisibilidade orçamentária por causa de reajustes e bandeiras tarifárias no mercado regulado.
-
Um planejamento orçamentário estruturado em cinco etapas permite definir metas claras e auditáveis para redução de custos.
-
Realizar auditoria de consumo e identificar eficiências internas são passos essenciais antes de qualquer renegociação contratual.
-
A migração ao mercado livre de energia reduz a exposição às variações tarifárias e permite contratos com preço fixo por 3 a 5 anos.
-
Para estruturar um planejamento orçamentário de energia que reduza custos e aumente a previsibilidade, fale com um consultor da Serena Energia.
Visão geral do processo em 5 etapas
-
Auditoria de consumo, mapear o que a empresa consome, quando consome e a que custo.
-
Definição de metas orçamentárias, estabelecer alvos financeiros e operacionais mensuráveis.
-
Identificação de eficiências internas, reduzir desperdícios antes de renegociar contratos.
-
Migração ao mercado livre de energia, contratar energia com preço negociado e fonte renovável.
-
Monitoramento contínuo, acompanhar KPIs e ajustar o plano periodicamente.
Pré-requisitos: documentos e dados necessários
Reunir os documentos certos acelera o planejamento e aumenta a precisão das projeções.
-
Faturas de energia dos últimos 12 a 24 meses, com detalhamento de consumo em kWh, demanda contratada e registrada, e encargos setoriais
-
Perfil de consumo mensal, com sazonalidades, picos de demanda e horários de maior carga
-
Classificação tarifária atual, como subgrupo A1, A2, A3, A3a, A4 ou AS, e modalidade de faturamento
-
Histórico de penalidades por ultrapassagem de demanda ou fator de potência fora do padrão
-
Envolvimento das áreas de finanças, operações e facilities desde o início do processo
Com esses dados em mãos, o processo se torna mais ágil. Mesmo assim, a interpretação correta desses dados, em especial o dimensionamento de demanda contratada e a identificação de penalidades evitáveis, exige experiência técnica. Empresas que contam com suporte especializado desde esta fase evitam retrabalho e reduzem o tempo total até a migração.
Guia passo a passo
Etapa 1: auditoria de consumo e diagnóstico de custos
Objetivo: entender com precisão o perfil energético da empresa e identificar onde o orçamento está sendo consumido de forma ineficiente.
Ações:
-
Consolidar as faturas dos últimos 24 meses em uma planilha única, separando consumo de ponta, fora de ponta e demanda
-
Calcular o custo médio por MWh efetivamente pago, incluindo todos os encargos
-
Identificar meses com bandeiras tarifárias ativas e quantificar o impacto financeiro acumulado
-
Mapear unidades consumidoras com maior peso na fatura consolidada
Responsáveis internos: controller ou analista financeiro sênior, com apoio do gerente de facilities.
Riscos e pontos de atenção: faturas incompletas ou sem detalhamento de demanda registrada comprometem a análise. Solicitar histórico diretamente à distribuidora, se necessário.
Etapa 2: definição de metas orçamentárias de energia
Objetivo: transformar o diagnóstico em alvos financeiros concretos, integrados ao orçamento anual e ao planejamento plurianual.
Ações:
-
Estabelecer um custo-alvo por MWh para os próximos 3 a 5 anos
-
Definir um teto de gasto mensal com energia, com margem para variações de consumo operacional
-
Separar metas de redução de custo unitário, preço por MWh, das metas de redução de consumo absoluto
-
Incluir no orçamento uma linha específica para certificação de energia renovável, quando a empresa tiver compromissos de ESG
Responsáveis internos: diretor financeiro ou CFO, com validação da diretoria executiva.
Riscos e pontos de atenção: metas baseadas apenas no histórico do mercado regulado tendem a subestimar o potencial de economia disponível no mercado livre de energia. Empresas que migraram ao mercado livre de energia registraram reduções relevantes nos custos de eletricidade, o que serve como referência para calibrar as metas.
Fale com um de nossos consultores para receber um estudo de viabilidade com projeção de economia personalizada para o perfil de consumo da sua empresa.
Com as metas orçamentárias definidas, o próximo passo é maximizar o impacto financeiro de qualquer mudança contratual. Isso exige reduzir desperdícios internos antes de migrar, pois quanto menor o consumo base, maior tende a ser a economia absoluta capturada no mercado livre de energia.
Etapa 3: identificação de eficiências internas
Objetivo: reduzir o consumo desnecessário antes de renegociar contratos, para ampliar o impacto financeiro da migração.
Ações:
-
Revisar a demanda contratada em comparação com a demanda efetivamente registrada, pois ajustes nesse parâmetro podem reduzir encargos fixos
-
Avaliar o fator de potência das instalações e corrigir eventuais desvios
-
Identificar equipamentos com consumo desproporcional ao seu uso produtivo
-
Mapear horários de pico de demanda e avaliar possibilidade de deslocamento de cargas
Responsáveis internos: gerente de operações ou de planta, com suporte de engenheiro eletricista.
Riscos e pontos de atenção: eficiências internas têm limite. Elas reduzem o consumo absoluto, mas não alteram o preço por MWh, e esse preço varia mensalmente no mercado regulado por causa das bandeiras tarifárias. A migração ao mercado livre de energia é o mecanismo que trata o custo unitário da energia de forma estrutural, com preço definido em contrato.
Etapa 4: migração ao mercado livre de energia
Objetivo: contratar energia com preço negociado, prazo definido e fonte renovável, reduzindo a exposição às bandeiras tarifárias do mercado regulado.

Ações:
-
Confirmar a elegibilidade da empresa, que precisa pertencer ao Grupo A, com fornecimento em média ou alta tensão. Desde janeiro de 2024, todos os consumidores do Grupo A podem migrar ao mercado livre de energia, independentemente do nível de consumo
-
Selecionar uma comercializadora com geração própria de energia renovável e histórico comprovado de gestão de grandes clientes
-
Solicitar um estudo de viabilidade com projeção de economia e modelagem contratual
-
Fechar contrato, em geral de 3 a 5 anos, com preço acordado antecipadamente
-
Iniciar o processo de migração, com prazo regulamentar de 6 meses, período em que a comercializadora conduz as etapas burocráticas
Responsáveis internos: diretor financeiro e gerente de operações, com apoio jurídico para revisão contratual.
Riscos e pontos de atenção: a migração não planejada expõe empresas do Grupo A a riscos de preço, volume contratado e encargos setoriais. A escolha de um parceiro que assuma a gestão regulatória junto à CCEE (Câmara de Comercialização de Energia Elétrica) é determinante para mitigar esses riscos. A Serena Energia conduz todo o processo de migração sem custo adicional para o cliente, incluindo a instalação dos equipamentos de medição e o registro junto à CCEE (Câmara de Comercialização de Energia Elétrica).
Checklist de migração:
-
☐ Elegibilidade confirmada, Grupo A em média ou alta tensão
-
☐ Estudo de viabilidade recebido e aprovado internamente
-
☐ Contrato revisado e assinado
-
☐ Processo de notificação à distribuidora iniciado
-
☐ Sistema de medição adequado, responsabilidade da Serena Energia
-
☐ Registro na CCEE (Câmara de Comercialização de Energia Elétrica) concluído
-
☐ Data de início do fornecimento confirmada
A migração ao mercado livre de energia não é um evento único. Ela marca o início de um novo modelo de gestão. O contrato traz previsibilidade de preço, mas o consumo real continua variando conforme a operação da empresa. Por isso, o monitoramento contínuo é o que transforma a migração em economia sustentável.
Etapa 5: monitoramento contínuo e revisão orçamentária
Objetivo: acompanhar os resultados financeiros e operacionais da migração, ajustando o plano conforme necessário.
Ações:
-
Comparar mensalmente o custo efetivo por MWh no mercado livre de energia com o custo projetado no mercado regulado
-
Monitorar o consumo realizado em relação ao volume contratado, mantendo-se dentro da faixa de flexibilidade contratual
-
Revisar o orçamento de energia semestralmente, incorporando variações de consumo e eventuais expansões operacionais
-
Acompanhar a emissão e utilização dos certificados I-REC para relatórios de sustentabilidade
Responsáveis internos: controller, com suporte do consultor designado pela comercializadora.
Riscos e pontos de atenção: o monitoramento passivo, apenas verificar a fatura mensal, não é suficiente. A revisão ativa do perfil de consumo permite identificar desvios antes que gerem custos adicionais no mercado de curto prazo.
Erros comuns e como corrigi-los
Planejamento baseado apenas no histórico regulado: projetar custos futuros usando apenas as tarifas do mercado regulado ignora o potencial de economia do mercado livre de energia e produz orçamentos conservadores que não refletem as alternativas disponíveis.
Iniciar o processo sem prazo definido: o processo de migração leva 6 meses a partir da notificação à distribuidora. Empresas que postergam a decisão perdem meses de economia potencial. Entre janeiro e abril de 2026, 6.077 unidades consumidoras migraram ao mercado livre de energia no Brasil, e essas empresas já estão capturando economia enquanto outras ainda avaliam o tema.
Documentação incompleta: a ausência de faturas detalhadas ou de histórico de demanda registrada atrasa o estudo de viabilidade e pode resultar em contratos mal dimensionados.
Falta de alinhamento entre áreas: decisões de migração tomadas apenas pela área financeira, sem envolvimento de operações e facilities, frequentemente resultam em contratos que não refletem o perfil real de consumo da empresa.
Como verificar os resultados?
Medir os resultados de forma consistente mostra se o planejamento orçamentário de energia está cumprindo as metas financeiras e operacionais.
Os KPIs mais relevantes para acompanhar o desempenho do planejamento orçamentário de energia são apresentados abaixo. A tabela mostra que os indicadores operacionais, como custo por MWh e desvio de consumo, exigem revisão mensal, enquanto indicadores estratégicos, como economia acumulada e certificação, podem ser revisados em prazos mais longos.
|
KPI |
O que mede |
Frequência de revisão |
|---|---|---|
|
Custo por MWh efetivo |
Preço real pago pela energia, incluindo todos os encargos |
Mensal |
|
Desvio consumo vs. contratado |
Aderência do consumo ao volume negociado em contrato |
Mensal |
|
Economia acumulada vs. mercado regulado |
Diferença financeira entre o custo atual e o custo projetado no mercado cativo |
Trimestral |
|
I-RECs emitidos vs. consumo total |
Cobertura da certificação de energia renovável sobre o consumo da empresa |
Anual |
A cadência de revisão recomendada é mensal para KPIs operacionais e trimestral para a revisão orçamentária consolidada. A Serena Energia disponibiliza um painel digital com acompanhamento da economia mensal, consumo realizado e comparativo entre mercado cativo e mercado livre de energia.
Opções avançadas
Gestão multi-site: empresas com múltiplas unidades consumidoras podem consolidar a contratação de energia em um único parceiro, simplificando a gestão e, em muitos casos, melhorando as condições negociadas. A Serena Energia atende empresas com operações em todo o Brasil.
Metas de sustentabilidade com certificação I-REC: empresas com compromissos públicos de descarbonização podem contratar energia 100% renovável com emissão de certificados I-REC para zerar as emissões de Escopo 2. Empresas que migraram ao mercado livre de energia com fornecedores certificados I-REC conseguem combinar redução de custos e cumprimento de metas ESG em um único contrato. A Serena Energia fornece I-RECs e créditos de carbono, o que permite comprovar a origem renovável da energia consumida em relatórios de sustentabilidade auditáveis.

Fale com um de nossos consultores para estruturar uma estratégia de energia que combine redução de custos, previsibilidade orçamentária e metas de sustentabilidade.
Perguntas frequentes
Qual é o requisito para uma empresa do Grupo A migrar ao mercado livre de energia?
A elegibilidade depende apenas de a empresa estar conectada em média ou alta tensão, ou seja, pertencer ao Grupo A. Não existe consumo mínimo exigido. Desde janeiro de 2024, todas as empresas nessa categoria têm o direito de escolher seu fornecedor de energia. A Serena Energia realiza a análise de elegibilidade sem custo.
A migração ao mercado livre de energia representa algum risco de interrupção no fornecimento?
A migração não altera a responsabilidade pela entrega física da eletricidade. A distribuidora local continua responsável pelos fios, postes e qualidade da rede. A mudança ocorre apenas em relação a quem vende a energia para a empresa. A Serena Energia cuida de todo o processo de migração, incluindo a adequação do sistema de medição, sem custo adicional para o cliente.
Quanto tempo leva o processo de migração?
O processo leva 6 meses a partir da notificação à distribuidora, conforme detalhado na Etapa 4. Durante esse período, a Serena Energia conduz as etapas burocráticas, do registro na CCEE (Câmara de Comercialização de Energia Elétrica) à instalação dos equipamentos de medição. O cliente não precisa gerenciar essas etapas internamente.
Como o mercado livre de energia reduz a imprevisibilidade orçamentária?
No mercado regulado, o custo da energia varia mensalmente conforme as bandeiras tarifárias e os reajustes anuais definidos pela ANEEL. No mercado livre de energia, o preço é acordado antecipadamente em contrato, em geral por 3 a 5 anos. Independentemente das condições hídricas ou de outros fatores externos, o custo da energia contratada permanece o mesmo durante o período contratual, o que permite projeções orçamentárias mais precisas.
O que são os certificados I-REC e por que são relevantes para o planejamento orçamentário?
O I-REC, International Renewable Energy Certificate, é um certificado global que comprova, de forma auditável, que determinado volume de energia foi gerado por uma fonte renovável. Para empresas com metas de ESG, o I-REC é o instrumento que permite declarar formalmente que o consumo de eletricidade é 100% renovável, informação exigida em relatórios de sustentabilidade e por investidores. A Serena Energia emite I-RECs correspondentes ao consumo de cada cliente, integrando a certificação ao contrato de fornecimento de energia.
Conclusão
O planejamento orçamentário de energia para empresas do Grupo A, aquelas com fornecimento em média e alta tensão, passou a ser um processo estruturado com etapas claras: auditoria de consumo, definição de metas, identificação de eficiências internas, migração ao mercado livre de energia e monitoramento contínuo. O mercado livre de energia já responde por 42% do consumo nacional de eletricidade, e empresas de setores como serviços, comércio e saneamento estão entre as que mais cresceram nesse ambiente em 2025.

A Serena Energia, uma das maiores geradoras de energia eólica e solar criadas nas Américas, oferece migração gerenciada ao mercado livre de energia, conforme descrito na Etapa 4, com contratos de preço acordado antecipadamente, energia 100% renovável e certificação I-REC, tudo gerenciado por uma equipe especializada que representa a empresa junto à CCEE (Câmara de Comercialização de Energia Elétrica).
Fale com um de nossos consultores e estruture um planejamento orçamentário de energia que reduza custos, aumente a previsibilidade e fortaleça as metas de sustentabilidade da sua empresa.