Escrito por: André Lima, Growth, Serena Energia
Principais lições deste artigo
- Empresas do Grupo A costumam pagar por componentes tarifários pouco visíveis, como demanda contratada excessiva e potência reativa excedente, que podem representar custos mensais relevantes.
- Uma auditoria estruturada de 30 minutos, usando apenas as três últimas faturas e o diagrama de cargas, permite identificar rapidamente os principais pontos de desperdício sem necessidade de consultoria externa.
- Comparar demanda contratada com demanda registrada e verificar cobranças por potência reativa excedente são passos simples que geram economia ao ajustar contratos ou instalar correção de fator de potência.
- Mapear cargas em standby e revisar encargos tributários complementam a auditoria, revelando oportunidades de redução de consumo fora do horário produtivo e ajustes fiscais.
- Após identificar os desperdícios, o passo seguinte é migrar para o mercado livre de energia com a Serena Energia para obter previsibilidade de custos e energia renovável. Conheça o modelo da Serena Energia para empresas do Grupo A.
Pré-requisitos e condições iniciais
Uma preparação simples torna a auditoria mais rápida e objetiva. Reúna os seguintes documentos e informações antes de começar:
- as três últimas faturas de energia elétrica da unidade, em formato físico ou digital
- o contrato de demanda vigente com a distribuidora, com a demanda contratada em kW
- o diagrama unifilar ou a lista de cargas instaladas, disponível com o setor de manutenção ou facilities
- o histórico de leituras do medidor, quando disponível no portal da distribuidora
As áreas internas envolvidas costumam ser o financeiro ou a controladoria, para análise da fatura, facilities ou manutenção, para levantamento de cargas e equipamentos, e, quando aplicável, o setor de TI, para cargas de servidores e data centers.
Não é necessário ter conhecimento técnico avançado em engenharia elétrica. A auditoria se baseia na leitura e comparação de campos presentes na fatura e em uma inspeção visual das instalações.
Visão geral do processo
O processo de auditoria segue cinco fases, que se apoiam entre si e levam da leitura da fatura à definição de ações práticas:
- Fazer a leitura estruturada da fatura: identificar todos os componentes de cobrança e separar os que apresentam variação ou valores acima do esperado.
- Analisar a demanda contratada: comparar a demanda registrada com a demanda efetivamente utilizada nos últimos três meses.
- Verificar a potência reativa excedente: localizar e quantificar cobranças por excedente de potência reativa na fatura.
- Levantar cargas invisíveis: mapear equipamentos em standby, sistemas de climatização e iluminação que operam fora do horário produtivo.
- Consolidar e priorizar: organizar os achados por impacto financeiro e definir ações corretivas.
Guia passo a passo
Passo 1: mapear todos os componentes da fatura
O primeiro passo é criar um inventário completo das cobranças. Abra as três últimas faturas e liste cada item de cobrança separadamente, para enxergar onde os custos se concentram e como variam ao longo do tempo.
Em faturas de Grupo A, os campos mais comuns incluem consumo em kWh, em ponta e fora de ponta, demanda registrada em kW, demanda contratada em kW, potência reativa excedente em kVArh, encargos setoriais e tributos. Depois de listar os campos, registre o valor em reais de cada um nas três faturas. Essa comparação mês a mês mostra quais componentes apresentam variação anormal e merecem investigação mais detalhada.
Responsável: controller ou analista financeiro.
Atenção: faturas de unidades em subgrupos A3a, A4 ou AS podem ter estruturas tarifárias diferentes. Confirme o subgrupo no cabeçalho da fatura antes de prosseguir.
Passo 2: analisar a demanda contratada em relação à demanda registrada
Ajustar a demanda contratada evita pagar por capacidade ociosa ou por multas de ultrapassagem. Localize na fatura os campos “demanda contratada” e “demanda medida” ou “demanda registrada”.
Quando a demanda medida fica sistematicamente abaixo da contratada, a empresa paga por capacidade que não utiliza. Quando a demanda medida ultrapassa a contratada, a distribuidora aplica cobranças adicionais por ultrapassagem.
Exemplo prático: uma unidade com demanda contratada de 500 kW e demanda registrada média de 320 kW nos três meses analisados paga por 180 kW que não consome. Dependendo da tarifa de demanda aplicada pela distribuidora, esse excesso pode representar centenas de reais por mês em cobrança desnecessária.
Ação corretiva: solicitar à distribuidora a revisão da demanda contratada para um valor mais próximo da demanda real, com uma margem de segurança operacional definida em conjunto com a área técnica.
Passo 3: identificar cobranças por potência reativa excedente
A potência reativa excedente é outro componente de custo pouco visível, assim como a demanda contratada fora da faixa. Esse valor aparece na fatura quando o fator de potência da instalação fica abaixo do limite estabelecido.
Esse campo costuma ser listado como “energia reativa excedente” ou “UFER”, Ultrapassagem do Fator de Potência de Referência. Valores diferentes de zero indicam que a instalação possui cargas indutivas, como motores, transformadores e sistemas de ar-condicionado, sem correção adequada do fator de potência.
Esse é um dos gastos mais discretos na fatura de empresas industriais e comerciais de médio e grande porte. A correção geralmente envolve instalar ou revisar bancos de capacitores, com investimento que costuma ser recuperado em poucos meses pela eliminação da cobrança recorrente.
Responsável: gerente de facilities ou engenheiro de manutenção.
Dependência: laudo do fator de potência da instalação, quando disponível.
Passo 4: mapear cargas em standby e fora do horário produtivo
Reduzir o consumo fora do horário produtivo depende de enxergar quais cargas permanecem ligadas sem necessidade. Percorra as instalações com a lista de cargas em mãos e identifique equipamentos que permanecem energizados fora do horário de operação.
Os casos mais comuns incluem servidores de baixa utilização, sistemas de climatização em áreas desocupadas, iluminação de corredores e estacionamentos sem automação e equipamentos industriais em modo de espera.
Atenção: sistemas de climatização com filtros obstruídos ou configurações incorretas no sistema de automação predial consomem energia acima do necessário mesmo durante o horário produtivo.
Passo 5: avaliar o sistema de medição
Um sistema de medição adequado permite acompanhar o consumo com mais precisão e viabiliza a migração para o mercado livre de energia. Verifique se o medidor instalado na unidade é compatível com leitura horária.
Para empresas que consideram a migração para o mercado livre de energia, o sistema de medição fiscal, com telemetria, é obrigatório. A Serena Energia se responsabiliza pela instalação desses equipamentos sem custo adicional para o cliente sob sua gestão.
Responsável: gerente de facilities em conjunto com o fornecedor de energia.
Risco: medidores instalados em pontos inadequados da instalação podem gerar leituras imprecisas e distorcer a análise de consumo por área ou equipamento.
Passo 6: verificar encargos setoriais e tributos aplicados
Conferir a tributação evita pagar alíquotas acima do devido. Confirme se as alíquotas de ICMS, PIS e COFINS aplicadas na fatura correspondem ao regime tributário da empresa.
Empresas com benefícios fiscais específicos ou com atividades enquadradas em categorias tarifárias diferenciadas podem estar pagando alíquotas incorretas. Esse ponto deve ser validado com o departamento fiscal ou jurídico.
Passo 7: consolidar os achados e priorizar ações
Organizar os achados em uma única visão facilita a tomada de decisão. Crie uma lista com três colunas: descrição do problema, impacto financeiro estimado em reais por mês e prazo de correção.
Priorize os itens com maior impacto e menor prazo de implementação. A demanda contratada fora da faixa e a potência reativa excedente costumam ter correção mais rápida. Cargas em standby geralmente exigem automação ou mudança de procedimento operacional.
Erros comuns e solução de problemas
Interpretar de forma incorreta as cobranças de potência reativa: muitos gestores confundem o campo de energia reativa com o de energia ativa e concluem que não há cobrança por reativa. O campo correto a verificar é “energia reativa excedente” ou “UFER”, não o total de energia consumida. Quando esse campo está zerado, não há cobrança. Quando apresenta valor positivo, existe um custo que pode ser eliminado.
Ignorar cargas em standby: equipamentos em modo de espera não aparecem como linha de custo específica na fatura. Eles se diluem no consumo total de kWh. A forma de identificá-los é comparar o consumo registrado em finais de semana ou feriados, quando a operação está parada, com o consumo esperado para uma instalação desligada. Uma diferença relevante indica cargas que permanecem ligadas.
Posicionar o medidor em local inadequado: em instalações com múltiplos pontos de carga, um medidor posicionado apenas no ponto de entrada não permite identificar qual área ou equipamento responde pelo consumo excessivo. A instalação de submedidores por setor resolve esse problema e é o primeiro passo para uma gestão energética mais detalhada.
Não documentar os achados: registrar inspeções com fotos, histórico de ordens de serviço e registros de fornecedores cria um rastro de auditoria que permite quantificar perdas recorrentes ao longo do tempo. Sem documentação, os mesmos problemas tendem a se repetir sem que o impacto acumulado seja percebido.
Verificação de resultados e métricas
Monitorar alguns indicadores simples mostra se as correções da auditoria estão gerando resultado. Após a auditoria e a implementação das ações, acompanhe mensalmente:
- demanda registrada em relação à demanda contratada, com meta de diferença inferior a 10%
- fator de potência médio da instalação, com meta acima de 0,92 para evitar cobranças de reativa
- consumo em kWh nos períodos de não operação, com meta de redução progressiva em relação à linha de base
- valor total da fatura mês a mês, corrigido por variações de produção ou ocupação
Essa revisão deve ser feita todo mês, com comparação ao mesmo período do ano anterior, para reduzir o efeito de sazonalidade. Ferramentas de gestão de facilities com módulo de energia ou planilhas estruturadas já permitem esse acompanhamento na primeira etapa, desde que os dados sejam atualizados de forma consistente.
Opções avançadas e próximos passos
Replicar a auditoria em todas as unidades amplia o potencial de economia. Para empresas com múltiplas unidades, a auditoria deve ser feita em cada CNPJ ou ponto de medição separadamente, porque o perfil de consumo e os problemas identificados variam por unidade. A consolidação dos achados em nível de grupo permite priorizar as unidades com maior potencial de redução de custos.
Empresas com metas de sustentabilidade podem combinar as correções operacionais identificadas na auditoria com a migração para o mercado livre de energia. Nesse ambiente, é possível contratar energia 100% renovável com emissão de Certificados de Energia Renovável, I-RECs. Esses certificados comprovam de forma auditável que o consumo da empresa é abastecido por fontes limpas, o que atende a exigências de relatórios ESG e de stakeholders.

A Serena Energia oferece migração gerenciada para o mercado livre de energia, assumindo todo o processo, do registro na CCEE (Câmara de Comercialização de Energia Elétrica) à instalação do medidor inteligente, sem custo adicional para o cliente sob sua gestão. A empresa tem mais de 17 anos de atuação, atende clientes como Heineken, Cargill e Bayer e está entre as maiores geradoras de energia eólica e solar criadas nas Américas, atuando como parceira de ponta a ponta na jornada de gestão energética de empresas do Grupo A.

FAQ
O que é o Grupo A e minha empresa se enquadra nele?
O Grupo A reúne consumidores com fornecimento em média ou alta tensão. Não existe consumo mínimo para se enquadrar nessa categoria. Se a sua empresa recebe energia nessas condições, ela já pertence ao Grupo A e pode migrar para o mercado livre de energia. A Serena Energia realiza a análise de elegibilidade sem custo.
Quanto tempo leva para corrigir os problemas identificados na auditoria?
O prazo varia conforme o tipo de problema. A revisão da demanda contratada junto à distribuidora pode levar de 30 a 90 dias. A instalação de bancos de capacitores para correção do fator de potência depende do porte da instalação, mas costuma ser concluída em poucas semanas.
Cargas em standby podem ser eliminadas por mudança de procedimento operacional, com prazo reduzido. A migração para o mercado livre de energia leva até seis meses, período necessário para encerramento do contrato com a distribuidora.
Quais são os custos envolvidos na migração para o mercado livre de energia?
O processo envolve custos regulatórios, como a adesão à CCEE (Câmara de Comercialização de Energia Elétrica). Como mencionado anteriormente, a Serena Energia cobre os custos de adequação do sistema de medição para clientes sob sua gestão, o que reduz barreiras financeiras para iniciar a migração. O cliente não precisa desembolsar valores adicionais para dar o primeiro passo.
A migração para o mercado livre de energia afeta o fornecimento de energia na minha unidade?
Não. A migração é um processo comercial e contratual. A distribuidora local continua responsável pela entrega física da energia na instalação do cliente. A única mudança é o agente com quem a empresa passa a comprar a energia. A qualidade e a continuidade do fornecimento permanecem as mesmas.
Como a Serena Energia ajuda após a identificação dos gastos invisíveis?
A Serena Energia oferece uma análise das faturas e do perfil de consumo da empresa para projetar a economia no mercado livre de energia. Além do processo de migração já descrito, a empresa oferece suporte contínuo, com um consultor dedicado, painel digital com métricas em tempo quase real e gestão junto à CCEE.
Para empresas com metas de sustentabilidade, a Serena Energia também emite I-RECs e oferece acesso a créditos de carbono, conectando a gestão de custos de energia às metas ESG.

Encerramento
Ao concluir essa auditoria de 30 minutos, a empresa identifica os principais pontos de desperdício na fatura e nas operações, como demanda contratada fora da faixa, cobranças por potência reativa excedente, cargas em standby e possíveis inconsistências tributárias. Cada um desses pontos representa uma oportunidade concreta de redução de custos que pode ser tratada de forma estruturada.
A auditoria interna funciona como ponto de partida. O passo seguinte é conectar esses achados a uma estratégia de gestão energética de longo prazo, com previsibilidade de custos e energia renovável certificada. Esse é o caminho que a Serena Energia oferece por meio da migração gerenciada para o mercado livre de energia.