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Escrito por: André Lima, Growth, Serena Energia

Principais lições deste artigo

Pré-requisitos para começar

A empresa precisa reunir informações básicas e envolver as áreas internas corretas antes de iniciar o processo de obtenção de I-RECs.

O processo de obtenção de I-RECs exige coordenação entre três áreas, cada uma com responsabilidades específicas:

Os dados e documentos habitualmente necessários incluem:

Uma condição técnica importante é que para declarar emissões de Escopo 2 iguais a zero pelo GHG Protocol, os I-RECs adquiridos devem corresponder ao consumo em MWh, ter sido gerados no mesmo ano e pertencer ao mesmo sistema interligado. Por isso, o mapeamento preciso do consumo por período é indispensável. Com esses pré-requisitos reunidos, a empresa fica pronta para iniciar o processo de implementação.

Visão geral do processo em 5 etapas macro

O fluxo de implementação de I-RECs em uma empresa do Grupo A segue cinco fases principais:

  1. Mapeamento do consumo: levantamento do consumo total em MWh por unidade e período de referência.
  2. Contratação da energia renovável e dos I-RECs: fechamento do contrato de fornecimento no mercado livre de energia com um parceiro que ofereça os certificados de forma integrada.
  3. Emissão dos certificados: o gerador registra a produção renovável e os I-RECs são emitidos na plataforma internacional, um por MWh gerado.
  4. Aposentadoria (retirement): os certificados são retirados permanentemente de circulação em nome da empresa consumidora, tornando-se prova exclusiva e auditável.
  5. Reporte: os I-RECs aposentados são utilizados no inventário de emissões de Escopo 2 e nos relatórios de sustentabilidade.

Entenda como a Serena Energia entrega energia renovável com I-RECs integrados.

Passo a passo detalhado

Passo 1: mapeamento e consolidação do consumo

A área de operações levanta o consumo medido de cada unidade consumidora para o período de referência, em geral o ano anterior. Esse levantamento gera um volume total em MWh que define quantos I-RECs serão necessários.

Os I-RECs têm um período de validade correspondente ao ano em que a energia foi gerada e devem ser aposentados para comprovar o consumo do mesmo ano ou do ano imediatamente seguinte. Atrasos nessa etapa podem comprometer o enquadramento temporal dos certificados.

Passo 2: contratação integrada de energia e I-RECs no mercado livre de energia

Contratar energia renovável no mercado livre de energia com I-RECs integrados simplifica a gestão. A empresa recebe o fornecimento físico e os certificados correspondentes pelo mesmo parceiro, com volumes alinhados em contrato.

Essa abordagem elimina a necessidade de gerenciar múltiplos fornecedores e reduz o risco de descasamento entre o volume de energia consumida e o volume de certificados emitidos.

A tabela abaixo resume as diferenças entre contratar energia física e I-RECs de forma separada ou integrada:

Dimensão Energia física + I-REC separados Energia física + I-REC integrados
Gestão de fornecedores Dois ou mais interlocutores Um único parceiro
Risco de descasamento de volume Maior, com necessidade de conciliação manual Menor, com volumes alinhados no contrato
Rastreabilidade para Escopo 2 Dependente de coordenação entre partes Documentação unificada
Complexidade operacional Alta Reduzida

A Serena Energia oferece contratos no mercado livre de energia com emissão de I-RECs integrada, o que permite comprovar o consumo de energia renovável sem coordenar processos com múltiplos agentes.

Solicite uma proposta com I-REC integrado.

Passo 3: emissão dos certificados na plataforma internacional

No Brasil, o emissor local autorizado de I-RECs é o Instituto Totum. Os geradores registram seus projetos por meio desse emissor, apresentam documentação técnica que comprova a capacidade instalada, a conexão à rede e o tipo de fonte renovável, e os certificados são emitidos com base nos dados de geração validados e disponibilizados para negociação.

As compras e aposentadorias de I-RECs são executadas por participantes registrados na plataforma, que atuam como intermediários entre geradores certificados e consumidores finais. A empresa consumidora não acessa a plataforma diretamente e opera por meio do parceiro comercial.

Passo 4: aposentadoria (retirement) dos certificados

A aposentadoria converte o consumo verificado de energia renovável em prova formal e exclusiva de uso, aceita para relatórios de ESG, auditorias ambientais, metas de descarbonização e requisitos contratuais. O participante registrado realiza a aposentadoria diretamente no registro de I-RECs em nome da empresa consumidora, o que impede qualquer transferência ou dupla contagem posterior.

Após a aposentadoria, a empresa recebe um extrato do registro que serve como evidência auditável para o inventário de emissões de Escopo 2.

Passo 5: reporte no inventário de Escopo 2

Para declarar emissões de Escopo 2 iguais a zero pelo GHG Protocol, a empresa deve aposentar I-RECs equivalentes ao seu consumo em MWh, gerados no mesmo ano e no mesmo sistema interligado, e o mix residual da rede é ajustado de acordo. No contexto deste guia, isso significa utilizar I-RECs que atendam aos critérios de correspondência temporal e geográfica definidos no início do processo.

O extrato de aposentadoria é o documento que sustenta essa declaração perante auditores, investidores e demais partes interessadas.

Erros comuns e como evitar

Os erros mais frequentes no processo de I-RECs em empresas do Grupo A se concentram em quatro áreas principais:

O checklist abaixo ajuda a validar cada etapa:

Verificação de resultados e métricas

A empresa confirma a execução correta do processo por meio de evidências objetivas:

Os principais indicadores operacionais e financeiros incluem o custo por MWh certificado, o volume total de I-RECs aposentados por ano e a cobertura percentual do consumo total da empresa pelos certificados. A revisão recomendada é anual, alinhada ao ciclo do inventário de emissões, com uma verificação intermediária no segundo semestre para antecipar eventuais ajustes de volume.

Estruture o monitoramento de I-RECs da sua empresa.

Opções avançadas e próximos passos

Empresas com múltiplas unidades consumidoras podem consolidar a aposentadoria de I-RECs em um único processo anual, desde que o mapeamento de consumo por unidade esteja documentado. Essa abordagem simplifica a gestão e mantém a rastreabilidade exigida por auditorias.

Para empresas com metas de descarbonização que vão além do Escopo 2, os I-RECs e os créditos de carbono cumprem papéis complementares: os I-RECs rastreiam o consumo de eletricidade renovável para endereçar o Escopo 2, enquanto os créditos de carbono neutralizam emissões residuais nos Escopos 1, 2 e 3. A Serena Energia oferece acesso a ambos os instrumentos.

Uma abordagem comum de descarbonização combina projetos de eficiência energética para reduzir o consumo bruto e contratação da demanda remanescente com energia renovável respaldada por I-RECs. Esse caminho permite atingir a neutralização completa do Escopo 2 de forma progressiva e documentada.

Temas relacionados para aprofundamento incluem o GHG Protocol e a metodologia de Escopo 2 baseada em mercado, os padrões da I-TRACK Foundation e as diferenças entre I-REC e REC Brazil, que certifica adicionalmente a contribuição da energia a pelo menos cinco dos dezessete Objetivos de Desenvolvimento Sustentável da ONU.

Perguntas frequentes

Qualquer empresa do Grupo A pode adquirir I-RECs?

Qualquer empresa do Grupo A, que reúne consumidores de média e alta tensão, pode adquirir I-RECs. Essa possibilidade vale tanto para empresas no mercado livre de energia quanto para empresas no mercado cativo.

A certificação se relaciona ao atributo ambiental da energia consumida, e não ao tipo de fornecimento físico. No mercado livre de energia, contratar energia renovável e I-RECs de forma integrada pelo mesmo parceiro simplifica o processo e reduz o risco de descasamento de volumes.

Qual é a diferença entre aposentar um I-REC e simplesmente comprar energia renovável?

Comprar energia renovável no mercado livre de energia sem a aposentadoria formal dos I-RECs correspondentes não é suficiente para declarar emissões de Escopo 2 iguais a zero pelo GHG Protocol. A planta geradora pode emitir e vender os certificados a terceiros independentemente do contrato de fornecimento.

A aposentadoria é o ato que vincula permanentemente o atributo renovável à empresa consumidora, impede qualquer uso posterior do mesmo certificado e fornece a prova auditável exigida por inventários de emissões e auditorias externas.

Quem é responsável internamente por cada etapa do processo?

A área de operações ou facilities responde pelo mapeamento de consumo e fornece os dados medidos por unidade e período. A área de ESG define o volume de I-RECs e incorpora os certificados aposentados nos relatórios de sustentabilidade.

A área de finanças aprova o orçamento e realiza os pagamentos. O participante registrado na plataforma executa a aposentadoria, e, no caso da Serena Energia, esse processo é gerenciado pelo próprio parceiro, sem necessidade de acesso direto da empresa à plataforma internacional.

Os I-RECs precisam ser do mesmo gerador que fornece a energia física?

Os I-RECs podem ser adquiridos de qualquer gerador registrado na plataforma, independentemente de quem fornece a energia física. Não existe obrigação de vincular o certificado ao mesmo gerador do contrato de fornecimento.

Contratar energia renovável e I-RECs de forma integrada pelo mesmo parceiro, porém, reduz a complexidade operacional, alinha os volumes automaticamente e facilita a documentação para auditorias. Por isso, essa costuma ser a abordagem recomendada para empresas que buscam simplicidade e segurança no processo.

Com que frequência a empresa precisa aposentar I-RECs?

A frequência mais comum é anual, alinhada ao ciclo do inventário de emissões de Escopo 2. Os certificados devem ser aposentados para comprovar o consumo do mesmo ano em que foram gerados ou do ano imediatamente seguinte.

Empresas com metas de reporte mais frequentes, como relatórios trimestrais para investidores, podem optar por aposentadorias parciais ao longo do ano, desde que o volume total ao final do período cubra o consumo reportado.

Conclusão: o que sua empresa consegue estruturar após este guia

Ao seguir o processo descrito, que inclui mapeamento de consumo, contratação integrada, emissão, aposentadoria e reporte, a empresa do Grupo A passa a dispor de prova auditável de que seu consumo de eletricidade é 100% renovável. Essa prova tem rastreabilidade reconhecida pelo GHG Protocol e por padrões internacionais de ESG.

Para diretores financeiros, o resultado é previsibilidade de custos energéticos combinada com um ativo de sustentabilidade que fortalece a posição da empresa perante investidores. Para gerentes de ESG, o benefício é a documentação formal que sustenta declarações públicas de neutralização de Escopo 2. Para gerentes de operações, o ganho é um processo estruturado que não exige mudanças na infraestrutura física nem interrupções operacionais.

A Serena Energia, uma das maiores geradoras de energia eólica e solar criadas nas Américas, oferece contratos no mercado livre de energia com emissão de I-RECs integrada, gestão perante a CCEE (Câmara de Comercialização de Energia Elétrica) e suporte de consultores especializados em cada etapa do processo. Desde 2017, a Serena Energia evitou a emissão de mais de 2,14 milhões de toneladas de CO₂.

Estruture energia renovável com I-RECs integrados para sua empresa, comece agora.

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