Escrito por: André Lima, Growth, Serena Energia
Principais lições deste artigo
- Os certificados de energia renovável separam os atributos ambientais da energia física e permitem comprovar consumo de energia limpa em relatórios ESG e inventários de gases de efeito estufa.
- Empresas do Grupo A precisam mapear conexão em média ou alta tensão, histórico de consumo mensal e necessidade de comprovação formal antes de adquirir certificados.
- O processo completo inclui registro na plataforma CCEE Origem, dimensionamento do volume, aquisição, aposentadoria no mesmo período do consumo e integração ao contrato de energia.
- Evitar erros como não aposentar os certificados no período correto, adquirir certificados sem rastreabilidade ou não integrar ao contrato de mercado livre de energia é essencial para validação em auditorias.
- A Serena Energia oferece contratos de energia eólica com emissão integrada de certificados para clientes do Grupo A. Fale com um de nossos consultores para entender como simplificar a estratégia de descarbonização da sua empresa.
Pré-requisitos para empresas do Grupo A
Empresas do Grupo A precisam confirmar três pontos antes de iniciar a aquisição de certificados.
- Ter conexão em média ou alta tensão, condição que define o Grupo A e habilita a empresa a operar no mercado livre de energia.
- Ter histórico de consumo mensal em kWh, que serve de base para dimensionar o volume de certificados a adquirir e aposentar.
- Ter necessidade de comprovação formal para relatórios ESG, inventários de gases de efeito estufa ou exigências de clientes e investidores na cadeia de valor.
Empresas que já migraram para o mercado livre de energia têm vantagem, pois a medição horária obrigatória nesse ambiente fornece dados de consumo com a granularidade exigida pelos registros de certificados.
Visão geral do processo
Quando uma usina gera energia renovável, dois produtos são criados: a eletricidade adicionada à rede e os atributos ambientais dessa geração, que podem ser vendidos separadamente. O certificado representa esses atributos ambientais e vincula a geração renovável a um consumidor específico.

No Brasil, o Instituto Totum atua como emissor local autorizado de I-RECs. Os dois principais instrumentos disponíveis para empresas brasileiras, CCEE Origem e I-REC internacional, são aceitos pelo GHG Protocol Escopo 2, pelo CDP, pelo GRI 302-1 e pelo SBTi. Empresas com operações apenas no Brasil costumam usar certificados emitidos pela CCEE Origem. Multinacionais tendem a consolidar sob o padrão I-REC internacional para padronizar relatórios globais.
Guia passo a passo detalhado
1. Registrar-se na plataforma CCEE Origem ou contratar um fornecedor com emissão integrada
O primeiro passo é definir quem fará a gestão dos certificados. A empresa pode se registrar diretamente na plataforma CCEE Origem ou contratar um fornecedor de energia que inclua a emissão de certificados no contrato.
Escolher um fornecedor com emissão integrada reduz a carga administrativa das equipes de ESG e operações, pois concentra a gestão em um único parceiro.
2. Dimensionar o volume de certificados correspondente ao consumo
O volume de certificados deve corresponder ao consumo total de eletricidade da empresa no período de reporte, com cada certificado representando 1 MWh de energia renovável gerada e injetada na rede. Esse alinhamento evita lacunas de cobertura em auditorias.
O histórico de medição horária do mercado livre de energia oferece a base de dados necessária para esse cálculo com precisão.
3. Adquirir os certificados
A empresa pode adquirir certificados de duas formas, bundled ou unbundled. No modelo bundled, a energia física e o certificado são vendidos juntos no mesmo contrato. No modelo unbundled, a empresa compra a energia de um fornecedor e os certificados de outro.
Nos dois casos, o certificado representa os atributos ambientais da geração renovável, independentemente de quem forneceu a energia física. A escolha entre bundled e unbundled depende da estratégia de contratação e da estrutura de fornecedores da empresa.
4. Aposentar (retire) os certificados no mesmo período de consumo
O GHG Protocol exige que os certificados usados na contabilidade de Escopo 2 pelo método baseado em mercado sejam aposentados, e não apenas adquiridos, e que correspondam ao mesmo ano de reporte do consumo que cobrem. A aposentadoria encerra o uso daquele certificado e impede dupla contagem.
Ao aposentar o certificado, o registro cancela o número de série e vincula o volume de MWh à empresa, o que viabiliza a comprovação em relatórios ESG e inventários de gases de efeito estufa.
5. Integrar a aquisição ao contrato de energia renovável no mercado livre de energia
Integrar certificados ao contrato de energia renovável no mercado livre de energia simplifica a gestão e reduz riscos de descasamento entre consumo e volume aposentado. Empresas do Grupo A que já operam no mercado livre de energia podem incluir essa cláusula diretamente no contrato de fornecimento.
A Serena Energia oferece essa jornada completa, com energia eólica contratada com preço acordado antecipadamente e emissão de certificados rastreáveis para clientes sob sua gestão.

6. Gerar relatórios para ESG e inventários de GEE
Os relatórios ESG devem apresentar o volume de certificados aposentados, o registro utilizado para verificação e a metodologia aplicada, incluindo a confirmação de que os certificados atendem aos critérios de qualidade do Escopo 2 para contabilidade baseada em mercado. Esses elementos sustentam a consistência dos dados reportados.
O número de série registrado e o comprovante de aposentadoria formam o núcleo da documentação para auditorias externas.
Erros comuns ao adquirir e aposentar certificados
- Não separar os atributos ambientais da energia física: comprar energia renovável sem emitir e aposentar o certificado correspondente não permite comprovar formalmente o consumo de energia limpa em relatórios de gases de efeito estufa.
- Adquirir certificados sem lastro rastreável: cada certificado deve conter metadados da usina geradora, tipo de fonte, mês de geração e número de série único. Certificados sem essa rastreabilidade tendem a não ser aceitos pelos principais frameworks de ESG.
- Esquecer de aposentar no mesmo período do consumo: o vintage do certificado precisa estar alinhado ao período de reporte. Para relatórios ESG de 2026, certificados de safra 2026 costumam ser exigidos para atender ao nível de precisão esperado em auditorias.
- Não integrar ao contrato de mercado livre de energia: gerenciar certificados de forma desconectada do contrato de fornecimento aumenta o risco de diferença entre o consumo real e o volume aposentado.
Verificação de resultados
Após a aposentadoria dos certificados, a empresa precisa revisar alguns pontos antes de incluir os dados em relatórios de sustentabilidade.
- Ter certificado aposentado em nome da empresa, com número de série registrado e cancelado no sistema.
- Ter volume aposentado alinhado ao consumo anual total em MWh, sem lacunas de cobertura.
- Ter vintage do certificado correspondente ao ano de reporte do consumo.
- Ter documentação de aposentadoria disponível para auditoria externa, incluindo confirmação do registro.
- Realizar reporte duplo de Escopo 2, tanto pelo método baseado em localização quanto pelo método baseado em mercado, quando instrumentos contratuais estiverem disponíveis, conforme exigido pelo GHG Protocol.
Opções avançadas
Empresas que desejam simplificar ainda mais a gestão podem contratar energia eólica no mercado livre de energia com emissão integrada de I-RECs. A Serena Energia oferece essa configuração e concentra a gestão em um único parceiro.
Clientes sob a gestão da Serena Energia recebem o serviço de emissão integrada e deixam de operar diretamente na plataforma CCEE Origem, o que reduz esforço operacional interno.
A combinação de I-RECs com créditos de carbono permite tratar diferentes escopos de emissão. Os I-RECs tratam emissões indiretas de Escopo 2 provenientes do consumo de eletricidade, enquanto os créditos de carbono representam compensação ou remoção de emissões de gases de efeito estufa de projetos ambientais específicos. A Serena Energia oferece acesso a ambos os instrumentos para apoiar uma estratégia de descarbonização mais abrangente.
Desde 2017, a Serena Energia contribuiu para evitar a emissão de mais de 2,14 milhões de toneladas de CO₂, com clientes como Cargill e Bayer integrando energia renovável certificada às suas metas públicas de sustentabilidade.

Perguntas frequentes
Empresas do Grupo A podem usar certificados da CCEE (Câmara de Comercialização de Energia Elétrica)?
Sim. Empresas do Grupo A podem adquirir e aposentar certificados de energia renovável pela plataforma CCEE Origem sem consumo mínimo exigido. Empresas que já operam no mercado livre de energia contam com medição horária precisa, o que facilita o dimensionamento correto do volume de certificados a aposentar.
Qual a diferença entre CCEE Origem e I-REC para relatórios ESG?
Na prática, os certificados emitidos pela plataforma CCEE Origem são I-RECs emitidos pela CCEE (Câmara de Comercialização de Energia Elétrica) como emissor registrado no Brasil. Empresas com operações apenas no país costumam usar diretamente os certificados da CCEE Origem. Multinacionais com operações em vários países podem preferir consolidar sob o padrão I-REC internacional para uniformizar relatórios globais.
Os dois formatos são aceitos pelo GHG Protocol Escopo 2 pelo método baseado em mercado, pelo CDP, pelo GRI 302-1 e pelo SBTi.
Quais custos indiretos existem na compra de certificados?
Além do preço do certificado, as empresas precisam considerar o custo de gestão da plataforma CCEE Origem, que inclui registro, acompanhamento do volume emitido e processo de aposentadoria. Há também o custo de oportunidade de não aposentar os certificados no período correto, o que pode comprometer a validação em auditorias.
Para empresas que optam por um fornecedor com emissão integrada, esses custos de gestão são absorvidos pelo contrato de fornecimento, conforme descrito na seção de opções avançadas.
Quem é responsável pela aposentadoria dos certificados?
A responsabilidade pela aposentadoria é da empresa que deseja comprovar o consumo de energia renovável. O certificado precisa ser aposentado em nome dessa empresa, com o número de série cancelado no registro, para que a reivindicação seja válida em relatórios ESG e inventários de gases de efeito estufa.
Quando o fornecedor de energia oferece emissão integrada, como ocorre na Serena Energia, o processo operacional de emissão é conduzido pelo fornecedor, mas a aposentadoria formal permanece vinculada ao consumidor final para fins de auditoria.
Energia renovável, certificados rastreáveis e gestão em um só parceiro
Empresas do Grupo A têm um caminho estruturado para comprovar o consumo de energia renovável. Esse caminho envolve adquirir e aposentar certificados pela plataforma CCEE Origem, com rastreabilidade desde a usina geradora até o relatório de sustentabilidade.
A Serena Energia oferece uma jornada integrada, com contratos de energia eólica no mercado livre de energia com preço acordado antecipadamente, emissão de I-RECs rastreáveis e gestão centralizada para clientes sob sua gestão. Com mais de 17 anos de atuação e presença em todo o Brasil, a Serena Energia reúne geração própria e comercialização em um único parceiro, o que reduz a necessidade de coordenar múltiplos fornecedores para estruturar a estratégia de descarbonização do Escopo 2.