Escrito por: André Lima, Growth, Serena Energia
Principais lições deste artigo
- Empresas do Grupo A podem migrar para o mercado livre de energia sem consumo mínimo, obter previsibilidade de custos e zerar emissões de Escopo 2 com I-RECs.
- Um diagnóstico completo de consumo e emissões (Escopos 1, 2 e 3) é o ponto de partida para medir progresso e priorizar ações.
- Projetos de eficiência energética devem anteceder a contratação de energia renovável, reduzindo o consumo antes de pagar menos pela energia.
- A estruturação alinhada à ISO 50001 e a governança com KPIs vinculados à remuneração executiva fortalecem a continuidade e a credibilidade dos relatórios ESG.
- Para implementar este roteiro de 90 dias com suporte especializado, fale com a Serena Energia.
Por que a gestão de energia é o pilar mais impactante do ESG
A energia elétrica representa uma das linhas de custo mais relevantes e menos previsíveis para empresas industriais e comerciais de médio e grande porte. No mercado cativo, os preços são regulados, sofrem reajustes periódicos e recebem bandeiras tarifárias que variam conforme a disponibilidade hídrica, o que dificulta o planejamento orçamentário de longo prazo.
Do ponto de vista ESG, as emissões de Escopo 2, provenientes do consumo de energia elétrica comprada, costumam ser as mais relevantes para empresas industriais e as mais diretamente endereçáveis pela escolha do fornecedor. Contratar energia renovável certificada no mercado livre de energia é uma ação de alto impacto para zerar o Escopo 2 de forma auditável.

Qualquer empresa do Grupo A pode migrar para o mercado livre de energia, independentemente do volume de consumo. Não existe consumo mínimo, basta estar conectado em média ou alta tensão.
Para estruturar uma gestão de energia que entregue economia e descarbonização auditável, o roteiro a seguir organiza as ações em sete passos executáveis em 90 dias.
Passo 1 – Diagnóstico de consumo e emissões (Escopos 1, 2 e 3)
Objetivo
Estabelecer a linha de base de consumo energético e emissões antes de qualquer intervenção. Esse diagnóstico permite medir progresso e priorizar ações com critério.
Ações
- Levantar 12 meses de faturas de energia de todas as unidades consumidoras, criando a base de dados para as análises seguintes.
- Com as faturas em mãos, mapear consumo mensal em kWh, demanda contratada, sazonalidades e picos, identificando padrões de uso.
- Usar esses dados para calcular emissões de Escopo 1 (fontes diretas), Escopo 2 (energia comprada) e Escopo 3 (cadeia de valor), tendo o GHG Protocol como metodologia de referência.
- A partir do mapeamento de consumo e emissões, identificar as unidades com maior consumo e maior intensidade de emissões.
Responsáveis internos
Gerente de Facilities ou de Planta para dados operacionais, Controller para faturas e custos, Gerente de ESG para metodologia de emissões.
KPIs do diagnóstico
| Indicador | Unidade | Fonte de dados |
|---|---|---|
| Consumo total de energia | MWh/ano | Faturas das distribuidoras |
| Intensidade energética | kWh por unidade produzida | Sistema de produção e faturas |
| Emissões de Escopo 2 | tCO₂e/ano | GHG Protocol e fator de emissão da rede |
| Participação de renováveis | % do consumo total | Contratos de fornecimento |
Atenção
O diagnóstico deve cobrir todas as unidades consumidoras, não apenas a matriz. Unidades menores frequentemente concentram ineficiências que não aparecem em análises agregadas.
Passo 2 – Estruturação alinhada à ISO 50001
Objetivo
Criar um sistema de gestão de energia com ciclo de melhoria contínua, alinhado à ISO 50001, antes da contratação de energia renovável. A norma organiza a gestão pelo ciclo Plan-Do-Check-Act (PDCA) e exige que a empresa identifique Usos Significativos de Energia (SEUs), estabeleça uma linha de base (EnB) e defina Indicadores de Desempenho Energético (EnPIs).
Ações
- Nomear um responsável pela gestão de energia com representação nas áreas de operações, finanças e sustentabilidade.
- Identificar os SEUs, ou seja, equipamentos, sistemas ou processos que concentram a maior parcela do consumo.
- Definir EnPIs relativos, como kWh por tonelada produzida, e atribuir um responsável e uma frequência de leitura a cada indicador.
- Documentar a política de energia e os objetivos mensuráveis com horizonte de 4 a 5 anos.
Dependências e riscos
A estruturação alinhada à ISO 50001 depende dos dados levantados no Passo 1. O principal risco é iniciar a certificação sem dados históricos suficientes, o que compromete a definição da linha de base e dificulta comparações futuras.
Passo 3 – Projetos de eficiência energética antes da contratação renovável
Objetivo
Reduzir o consumo absoluto antes da contratação de energia renovável. Eficiência primeiro significa consumir menos energia e, em seguida, pagar menos por ela.
Checklist de projetos prioritários
- Iluminação: substituição de iluminação por LED.
- Climatização: otimização de sistemas de climatização com controles programáveis e zoneamento.
- Demanda contratada: revisão da demanda contratada para eliminar ultrapassagens e adequar o contrato ao perfil real de consumo.
- Fator de potência: correção do fator de potência para reduzir energia reativa e encargos associados.
- Modulação de cargas: modulação de cargas para deslocar consumo do horário de ponta.
Responsáveis internos
Gerente de Planta ou de Facilities para execução técnica, Controller para aprovação de investimentos, Gerente de ESG para registro das reduções em relatórios.
Atenção
Projetos de eficiência exigem capital e tempo de obra. A migração para o mercado livre de energia reduz o custo da energia contratada sem alterar a operação e pode ocorrer em paralelo aos projetos de eficiência.
Passo 4 – Contratação de energia renovável com emissão de I-RECs para zerar Escopo 2
Objetivo
Contratar energia 100% renovável no mercado livre de energia com emissão de I-RECs (International Renewable Energy Certificates) para cada MWh consumido, zerando as emissões de Escopo 2 de forma auditável.
Ações
- Solicitar estudo de viabilidade com base nas faturas dos últimos 12 meses.
- Fechar contrato bilateral de fornecimento de energia renovável com prazo definido.
- Registrar a empresa na CCEE (Câmara de Comercialização de Energia Elétrica), processo conduzido pela Serena Energia sem custo adicional para clientes sob sua gestão.
- Instalar o sistema de medição compatível com o mercado livre de energia, também conduzido pela Serena Energia sem custo adicional.
- Solicitar a emissão dos I-RECs correspondentes ao consumo para uso nos relatórios de sustentabilidade.
Ponto crítico: a distribuidora local continua responsável pela entrega física
A migração para o mercado livre de energia é uma decisão comercial e contratual. A distribuidora local permanece obrigada a entregar a eletricidade na unidade consumidora e a manter a qualidade e a estabilidade da rede. O que muda é o fornecedor da energia, não a forma como ela chega.

Por que o I-REC é a ferramenta correta para Escopo 2
Um I-REC representa 1 MWh de energia gerada por fonte renovável e injetada na rede. Quando a empresa retira esse certificado de circulação em um registro reconhecido, cria um rastro auditável que impede a dupla contagem e atende aos critérios de qualidade do GHG Protocol Scope 2 Guidance para a abordagem market-based. I-RECs e créditos de carbono são instrumentos distintos, o I-REC endereça Escopo 2 e créditos de carbono endereçam outras fontes de emissão.
Desde 2017, a Serena Energia evitou a emissão de mais de 2,14 milhões de toneladas de CO₂. Clientes como Cargill e Bayer utilizam a energia renovável da Serena Energia como parte de suas estratégias de descarbonização.

Passo 5 – Estrutura de governança e KPIs de liderança
Objetivo
Tratar a gestão de energia como tema de governança corporativa, com responsáveis definidos, ciclos de revisão e métricas vinculadas à remuneração executiva.

Ações
- Estruturar quatro camadas de governança: estratégica (C-suite), operacional (ESG e facilities), propriedade de dados (RACI por indicador) e garantia de qualidade (auditoria interna).
- Definir ciclos de revisão com monitoramento mensal de EnPIs, revisão trimestral de metas e relatório anual para o conselho.
- Vincular metas de energia e emissões à remuneração variável de executivos responsáveis.
- Documentar todas as decisões metodológicas para suportar asseguração externa.
KPIs de liderança
| KPI | Unidade | Frequência |
|---|---|---|
| Intensidade de emissões | tCO₂e por R$ M de receita | Trimestral |
| Participação de energia renovável | % do consumo total | Mensal |
| Redução de Escopo 2 (market-based) | tCO₂e evitadas | Mensal |
| Comparação de custos energéticos | R$ e % em relação ao mercado cativo | Mensal |
Passo 6 – Plano de 90 dias em fases com métricas e ferramentas
Dias 1 a 30 – diagnóstico e estruturação
- Levantar 12 meses de faturas de todas as unidades, responsabilidade do Controller.
- Calcular consumo, demanda e emissões de Escopo 1, 2 e 3, responsabilidade do Gerente de ESG.
- Identificar SEUs e definir EnPIs preliminares, responsabilidade do Gerente de Planta.
- Solicitar estudo de viabilidade para migração ao mercado livre de energia, responsabilidade do Diretor Financeiro.
Ferramentas: planilhas de consumo por unidade, GHG Protocol, sistema de medição existente.
Dias 31 a 60 – decisão e contratação
- Aprovar política de energia e objetivos mensuráveis alinhados à ISO 50001, responsabilidade da C-suite.
- Priorizar projetos de eficiência por impacto e prazo de retorno, responsabilidade do Gerente de Planta.
- Fechar contrato de energia renovável no mercado livre de energia, responsabilidade do Diretor Financeiro e do Gerente de ESG.
- Iniciar processo de registro na CCEE (Câmara de Comercialização de Energia Elétrica), conduzido pela Serena Energia.
Ferramentas: estudo de viabilidade da Serena Energia, matriz de priorização de projetos, documentação para CCEE (Câmara de Comercialização de Energia Elétrica).
Dias 61 a 90 – implementação e monitoramento
- Instalar sistema de medição compatível com o mercado livre de energia, processo descrito no Passo 4.
- Executar projetos de eficiência aprovados, responsabilidade do Gerente de Planta.
- Ativar painel de monitoramento com custos mensais, consumo realizado e comparação entre mercado cativo e mercado livre de energia, responsabilidade do Controller e do Gerente de ESG.
- Realizar primeira revisão de EnPIs e ajustar metas se necessário, responsabilidade da equipe multifuncional.
Ferramentas: painel da Serena Energia, relatório de EnPIs, ata de revisão de gestão.
O prazo regulatório para início da economia é de 6 meses a partir da denúncia do contrato com a distribuidora. O plano de 90 dias cobre a estruturação interna e o início do processo de migração, e a economia na fatura aparece na primeira conta após a conclusão da migração.
Passo 7 – Medição, verificação e reporte
Objetivo
Confirmar se as ações executadas entregaram os resultados esperados e documentar as reduções de forma auditável para relatórios ESG.
Ações
- Comparar EnPIs do período pós-intervenção com a linha de base estabelecida no Passo 1.
- Retirar de circulação os I-RECs correspondentes ao consumo do período para registro formal de Escopo 2 market-based.
- Documentar metodologia, fontes de dados e decisões de escopo para suportar asseguração externa.
- Publicar resultados em relatório de sustentabilidade alinhado ao GRI 302 ou ao ESRS E1.
Erros comuns
- Comparar consumo absoluto sem normalizar por volume de produção ou ocupação, o que pode mascarar melhora real de eficiência quando a produção cai.
- Usar I-RECs de vintage diferente do ano de consumo, o que reduz a aceitação em auditorias.
- Confundir energia renovável certificada com neutralização total de emissões, pois I-RECs endereçam Escopo 2 e outras emissões exigem créditos de carbono ou reduções diretas.
- Não documentar decisões metodológicas, o que dificulta asseguração externa.
Verificação de resultados e erros comuns
| Ação | Resultado esperado | Erro frequente |
|---|---|---|
| Diagnóstico de consumo e emissões | Linha de base documentada por unidade | Cobrir apenas a matriz e ignorar filiais |
| Estruturação ISO 50001 | SEUs identificados e EnPIs definidos | Iniciar sem dados históricos suficientes |
| Projetos de eficiência | Redução do consumo absoluto antes da contratação | Contratar energia renovável antes de reduzir consumo |
| Contratação de energia renovável e I-RECs | Escopo 2 market-based zerado e auditável | Confundir I-REC com crédito de carbono |
| Governança e KPIs | Responsáveis definidos e ciclos de revisão ativos | Tratar ESG como projeto pontual sem dono executivo |
Perguntas frequentes
Qualquer empresa do Grupo A pode migrar para o mercado livre de energia?
Sim. O Grupo A reúne consumidores conectados em média e alta tensão. Desde janeiro de 2024, não existe consumo mínimo para empresas nessa faixa migrarem para o mercado livre de energia. A Serena Energia realiza a análise de elegibilidade sem custo.
A migração para o mercado livre de energia representa risco para a operação?
Não. A migração é um processo comercial e contratual. A distribuidora local continua obrigada a entregar a eletricidade na unidade consumidora e a manter a qualidade da rede. O que muda é de quem a empresa compra a energia. A Serena Energia conduz todo o processo, incluindo registro na CCEE (Câmara de Comercialização de Energia Elétrica) e instalação do sistema de medição, sem custo adicional para clientes sob sua gestão.
Quanto tempo leva para a empresa começar a economizar?
O processo regulatório de migração leva 6 meses, contados a partir da denúncia do contrato com a distribuidora. A economia aparece na primeira fatura após a conclusão da migração. Por isso, quanto antes o processo começa, mais cedo a empresa captura os benefícios financeiros e ambientais.
O I-REC é suficiente para zerar o Escopo 2 nos relatórios ESG?
Sim, para a abordagem market-based do GHG Protocol. Como explicado no Passo 4, cada I-REC retirado de circulação cria um rastro auditável que permite à empresa declarar consumo 100% renovável e zerar o Escopo 2 market-based. I-RECs endereçam Escopo 2 e créditos de carbono são instrumentos separados para outras fontes de emissão. A Serena Energia emite I-RECs correspondentes ao consumo de cada cliente.
A ISO 50001 é obrigatória para migrar ao mercado livre de energia?
Não. A ISO 50001 é uma norma de gestão de energia que estrutura o ciclo de melhoria contínua e fortalece a credibilidade dos dados de ESG. A migração ao mercado livre de energia é independente da certificação. As duas iniciativas são complementares, a norma organiza o diagnóstico e o monitoramento interno, enquanto a contratação de energia renovável certificada entrega a redução de Escopo 2 auditável. Empresas que combinam as duas abordagens passam a ter dados mais robustos para relatórios e auditorias externas.
Conclusão: o que a empresa passa a conseguir estruturar
Ao concluir este roteiro de 90 dias, a empresa passa a operar com uma linha de base de consumo e emissões documentada, um sistema de gestão de energia alinhado à ISO 50001, projetos de eficiência priorizados por impacto, um contrato de energia renovável no mercado livre de energia com I-RECs para zerar o Escopo 2 e uma estrutura de governança com responsáveis, KPIs e ciclos de revisão definidos.
O resultado combina previsibilidade de custos energéticos e descarbonização de Escopo 2 comprovável para investidores, clientes e reguladores. A Serena Energia, com 17 plantas operacionais no Brasil e nos EUA e o histórico de descarbonização mencionado anteriormente, está entre as maiores geradoras de energia eólica e solar criadas nas Américas e conduz cada etapa desse processo.
Comece sua jornada de descarbonização hoje, simule sua economia com a Serena Energia.